Por que voto em Alckmin: as virtudes do 'chuchu' em tempos de candidatos pimentões vazios e ocos!
- Elton G.P

- 21 de set. de 2018
- 5 min de leitura
Tenho ouvido de colegas a seguinte frase “Gosto do Alckmin, mas não vou votar nele para presidente”. A rejeição ao nome do melhor candidato da disputa deve-se ao clima de polarização e raiva que se instaurou no Brasil, como conseqüência dos 13 anos de governos petistas.

Há quem diga que ‘’Geraldo é o candidato certo na eleição errada’’, frase com a qual eu concordo. O ex-governador é o candidato mais tarimbado e experimentado para assumir a presidência do país num momento tão crítico pelo qual passa o Brasil
Os motivos que impedem o crescimento de Geraldo:
1) Eleitores historicamente identificados com os tucanos não perdoam a apatia do PSDB na oposição aos governos petistas.
O clima de disseminação do ódio mútuo e a polarização excessiva entre eleitores petistas e anti-petistas turva o debate e favorece o apagamento de candidaturas como a de Geraldo. Aqui há uma crítica a se fazer ao candidato: os tucanos, e mais especificamente Geraldo, tiveram um papel apático e frouxo diante da grave crise política que levou ao impeachment de Dilma. O PSDB, temendo uma ‘’guinada à direita’’, preferiu se distanciar dos grupos antipetistas e deixaram o Bolsonaro ocupar o protagonismo dentro do segmento anti-petista. Muitos eleitores históricos do PSDB não perdoam o partido e muito menos o Geraldo— o ‘’símbolo’’, por assim dizer, da ‘’letargia’’ tucana.
2) Eleitores querem ver o ‘’circo pegar fogo’’ e apostam em candidatos que prometem ‘’ dar murro na mesa’’.
Isso explica a liderança de Bolsonaro e, mais atrás, em terceiro lugar, o crescimento de Ciro Gomes, uma versão esquerdista de Bolsonaro. O que os dois têm em comum ?
Ambos gostam de arroubos, prometem fazer e acontecer, prender e arrebentar , e, com freqüência, saem com respostas simples e rápidas para problemas complexos. Bolsonaro sobre a questão da segurança faz parecer que o problema seria resolvido dando carta branca para policiais matarem; Ciro, por sua vez, não explicita como vai tirar os brasileiros do SPC e não diz de onde vai sair o dinheiro para o seu ‘’bolsa SERASA’’ .
Alckmim é o avesso disso tudo. E, por isso, elenco baixo os motivos que me levam a recomendar o voto no tucano:
1) Temperamento tranquilo, serenidade, disciplina e autocontrole
Nesse cenário conflagrado, nunca o Brasil necessitou tanto de um presidente com equilíbrio e serenidade, um binômio que assegura a estabilidade e o funcionamento regular e equilibrado de um governo. Tanto Ciro quanto Bolsonaro são figuras imprevisíveis e agressivas, com grande potencial de desagregação. O primeiro muito mais do que o último, mas ambos, em comum, indicam que podem ter sérios problemas de governabilidade e de eventual desestabilização política na relação com o Congresso em seus respectivos governos, piorando ainda mais a recuperação econômica do país.
Geraldo é o candidato que melhor inspira confiança e otimismo no quesito governabilidade. Estresse e pressão são inerentes ao exercício da presidência da república, e Geraldo é o candidato que melhor reúne as condições emocionais para a função. Em situação de estresse e de pressão, é impossível ouvir dele qualquer disparate ou frase que não tenha a sua justa medida.
A tão mal falada aliança com o ‘’Centrão’’, do ponto de vista político, não depõe negativamente contra o ex-governador paulista. Muito pelo contrário. É uma virtude. Evidencia o potencial agregador de Geraldo, fazendo o político se destacar como aquele que em meio a uma eleição em que polos antagônicos vociferavam , um candidato experiente foi capaz de atrair espectros políticos de centro para o seu projeto , enquanto seus oponentes nada conseguiram agregar, a não ser o discurso do ‘’murro na mesa’’. Uma observação: todos os candidatos atacaram a aliança do ex-governador com o ‘’Centrão’’, mas todos desejavam o apoio do bloco e nada conseguiram — com exceção da Marina.
A questão é saber se é o equilíbrio ou a insensatez que vão dar o tom da campanha. Até o momento a insensatez parece dominar o debate. Numa eleição tomada pelas emoções à flor da pele, a chance de termos uma eleição polarizada entre raiva e a irracionalidade não é remota. Isso ocorrendo, como é o que tudo indica, não há espaço para o equilíbrio e a racionalidade. O eleitor não quer o discurso da razão; antes importa o populismo das frases de efeito—que chegam ao coração do eleitor com mais vibração.
2) Geraldo tem o que mostrar; seus oponentes nada
Nenhum dos candidatos na disputa presidencial tem as credenciais administrativas de Geraldo. À frente do governo paulista, Geraldo promoveu uma profunda reforma do Estado, eliminando privilégios e criando mecanismo de avaliação da qualidade e eficiência dos serviços públicos. São Paulo de Geraldo deixou de ser um Estado empresário e perdulário para ser um Estado gerencial e indutor de desenvolvimento. Exemplo disso, São Paulo, durante a crise, investiu e empregou enquanto o Brasil arcava com um déficit primário bilionário pelo 6º ano seguido.
O que Bolsonaro e o seu economista, Paulo Guedes, dizem que vão fazer, Geraldo já fez. Em São Paulo, andei lendo, o ex-governador privatizou empresas públicas ineficientes e extinguiu outras, vendeu aviões, carros, helicópteros para uso oficial, além de não aceitar o aumento do seu salário e de outros servidores, para, com isso, cortar gastos e evitar cortes nos investimentos do Estado, economizando algo em torno de R$ 370 milhões em 2016 -- o ano clímax da crise gerada pelo desgoverno Dilma.
O legado de Geraldo é de superávit fiscal durante a maior crise fiscal da história do país.
Reforma da Previdência
Nenhum candidato toca no assunto, pois sabe que corre o risco de perder voto. Mas Geraldo é o candidato que mais credenciais tem para promover uma reforma de Estado e fazer a necessária e urgente Reforma da previdência, pois a fez em São Paulo, ainda em 2011, evitando o colapso do Estado, como acontece hoje com os estados do Rio, Minas e outros, que estão com os maiores rombos na previdência e não pagam aos seus funcionários regularmente.
Candidatos pimentões: ocos e vazios

Apelidaram o candidato Geraldo de ‘’chuchu’’, na tentativa de associarem as qualidades do candidato, a temperança e o equilíbrio, a algo negativo, impingindo-lhe a pecha de candidato ‘’sem gosto e sem graça’’. Como se na falta de uma acusação grave, a pecha de ‘’picolé de chuchu’’ fosse um desmerecimento ou defeito. Pode até ser! Depende do olhar de quem enxerga o candidato. Em tempos de irracionalidade, de candidatos pimentões, tão verdes quanto vazios por dentro, imaturos e despreparados, ser um candidato ‘’chuchu’’ pode soar como um elogio. Afinal, o autocontrole e domínio da situação são virtudes; não defeitos.





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