O índex feminista: autoritarismo impede lançamento de livro sobre a Lei Maria da Penha
- Elton G.P

- 30 de dez. de 2017
- 4 min de leitura

Antes que alguma feminista me censure pelo título deste texto, sem antes considerar a exposição aqui feita ̶ como ,aliás, fizeram com o livro do juiz criminalista Gilvan Macêdo dos Santos , rotulando-o sem lê-lo ̶ , quero dizer que estou pouco me lixando para os julgamentos e rótulos de quem não me conhece e que, com base na exposição aqui feita, pode inferir que eu seja um tremendo ‘’machista’’ , ‘’misógino’’ porque não me filio ao pensamento dos sem número de ‘’movimentos sociais’’ donos da verdade.
A questão aqui não é ‘’ser contra ou a favor da Lei Maria da Penha’’, como comumente fazem as vozes obscurantistas que se negam a debater qualquer possibilidade de melhoramento ou crítica à legislação de gênero. Quando o tema é reduzido a esse dualismo simplificador, os ‘’bons’’ se acharão no direito de censurar os ‘’maus’’, afinal quem, em pleno século XXI, vai ser a favor de violência contra as mulheres, não é mesmo?
Pois é, amigos. Assim o debate fica inviável. Os críticos à Lei Maria da Penha serão sempre vistos como ‘’defensores da violência doméstica’’.
Vamos aos fatos. No último dia 19 de dezembro, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE) cancelou, a pedido dos ‘’movimentos sociais’’ , como diz matéria do JC Online, o lançamento do livro “A discriminação do gênero-homem no Brasil em face à Lei Maria da Penha”, do juiz criminalista Gilvan Macêdo. A matéria pode ser lida aqui (http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2017/12/19/livro-que-aborda-discriminacao-do-homem-pela-lei-maria-da-penha-gera-polemica-320793.php).
O livro é o resultado de uma tese de dissertação de mestrado realizada em Portugal pelo autor ( dificilmente seria feita no Brasil ,onde as donas da verdade ocupam o pedestal do academicismo universitário). Trata-se de um texto que jamais poderia ser censurado. Vimos, na verdade, o TJ-PE assentir num atentado a um direito fundamental de caráter social: a liberdade de expressão, que se materializa, sobretudo, pela circulação das idéias em livros, artigos, jornais etc.
A armadilha semântica dos movimentos sociais para pedir o cancelamento do livro.
A nota dos ‘’coletivos de mulheres’’ ̶ na verdade, um nicho de gente ‘’corajosa’’ para dizer o que diz somente quando está em bando ̶ vem recheada de desaforos e de acusações. Acusa o magistrado autor da obra de ter um ‘’... histórico profissional a perseguição aos movimentos sociais e a resistência a um judiciário garantidor dos direitos e princípios constitucionais’’. Como quem se sente dono da verdade, parte , inclusive, para o ataque e para as acusações graves contra o tribunal, dizendo ser o judiciário ‘’cúmplice de métodos, argumentos e elaborações teóricas as quais tendem a manter a situação de vulnerabilidade da mulher’’.
Apelando para o sensacionalismo e tentativa de neutralização do debate e de quem discorda, os coletivos se acham no direito de acusar a obra ter não ter ‘’...qualquer conteúdo e capacidade de se inserir na realidade do debate’’. Mero subjetivismo dos grupos que assinam a nota.
Na verdade, os ‘coletivos de mulheres’’ estão dizendo o que deve ou não ser publicado e discutido, conforme o que elas entendem por ''discussão teórica legítima''. O TJ-PE, em linguagem prosaica, ‘’ pôs o rabo entre as pernas’’ e cancelou o evento. Ponto para o autoritarismo dos ‘’coletivos’’.
A notinha é tão desaforada e clichê que termina da seguinte forma:
''O Tribunal de Justiça de Pernambuco receber o lançamento de um livro que traz em seu título o esvaziamento da Lei Maria da Penha – um dos mais importantes avanços no combate à violência doméstica e familiar sofrida pelas mulheres – é ter em suas mãos o sangue de Josefa Severina da Silva Filha, Daiane Reis Mota e tantas outras mulheres assassinadas por seus parceiros sexuais. Não nos calaremos diante da suspeita e injustificável cumplicidade da Justiça de Pernambuco com nossas mortes. Não aceitaremos que nossos direitos sejam esvaziados em alto som nos salões nobres dos poderosos, enquanto nossas mortes são silenciosamente ignoradas. Nenhum direito a menos.''
Um absurdo, senão uma acusação imputada ao tribunal e ao autor da obra que mereceria, no mínimo, uma interpelação judicial! Se, no mínimo, coragem tivesse para ir contra a maré politicamente correta do feminismo, o autor da obra, por exemplo, deveria interpelar as corajosas que só falam bando pedindo para que elas encontrassem , na obra ̶ pelo menos elas teriam o trabalho de ler o livro, se é que leram! ̶ onde está o ‘’sangue’’ das mulheres assassinadas em Pernambuco. Em quais passagens, o autor justifica o feminicídio e endossa a ‘’cumplicidade ‘’ com as mortes de mulheres ?
Seria uma decisão corajosa do autor que exporia o mero verbalismo estéril dos ‘’coletivos feministas’’, useiro e vezeiro de acusações sem prova, de imputações e alegações que não precisam ser provadas, apenas lançadas e pronto!
Chegamos ao absurdo de vermos qualquer tentativa de crítica ou de sugestões de melhoramento da Lei Maria da Penha ser rechaçada pela gritaria de minorias obscurantistas que não aceitam ser confrontadas e que se sentem a palmatória do mundo. Gente que não lê bulhufas nenhuma, mas que forma uma ideia
ou rechaça outras com os mesmos surrados rótulos neutralizantes, ‘’discursos de ódio’’, ‘’machismo’’.
O autoritarismo venceu. Como alguém pode censurar uma obra sem ao menos lê-la? O que essa gente fez foi sintetizar a obra pelo seu título. Gente preguiçosa que não lê nada e já parte para a queima e perseguição de livros.
No index das feministas ̶ a lista com todas as obras proibidas pelos ‘’coletivos’’ ̶ , livros que critiquem e questionem a sacrossanta e perfeita Lei Maria da Penha é ‘’retrocesso’’ , é ‘’discurso de ódio’’. Não é que as bruxas da Idade Média ̶ segundo a leitura feminista , as ‘’hereges da ordem patriarcal de então’’ ̶ trocam de papéis : de vítimas, viraram as censoras, as que vão incriminar livros como ‘’nocivos’’e mandar para a fogueira tudo o que não esteja , no dizer das corajosas, ‘’de acordo com a realidade do debate’’.




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