top of page

Bolsonaro dá provas de amadorismo e de falta de articulação política ao desprezar partidos do centro

  • Foto do escritor: Elton G.P
    Elton G.P
  • 29 de set. de 2018
  • 3 min de leitura

Atualizado: 14 de jan. de 2022




Em entrevista ao jornalista Datena, o candidato reiterou que, em caso de segundo turno, não procurará os partidos do centro, aqueles partidos que sem os quais nenhum presidente, desde a Redemocratização, conseguiu governar ou fazer reformas.

E prestem bem atenção: este que escreve não fala do ‘’centrão da corrupção’’, como comumente o senso comum, com o apoio da grande mídia, que mais desinforma do que informa, tenta descrever o amplo arco de partidos mais ao centro ( ''pragmáticos'' ou sem representação ideológica, se podemos assim dizer), que são indispensáveis à governabilidade.


Os mesmos partidos que o candidato Geraldo Alckmin conseguiu, num esforço de capacidade de articulação, juntar em torno de sua candidatura. Essa ampla coalizão de partidos de centro foi massacrada pelo próprio Bolsonaro e pelos bolsonaristas , que trataram de desqualificar os partidos políticos, contribuindo para uma visão que desqualifica a política e os partidos.

O amadorismo de Bolsonaro é enorme para quem chegou a esta altura do campeonato e não ‘’caiu na real’’ de que tem chances de vencer esta eleição. Essa de fazer campanha com o povo nas ruas e sem os partidos do lado só serve para flertar com o voto antipolítico de eleitores irados com o ‘’sistema’’ ; todavia, não resiste aos primeiros dias após as eleições, quando o presidente precisará montar uma equipe ministerial de governo.


‘’Conversar com os político; não com os partidos’’


Bolsonaro faz uma campanha precária e amadora em termos de estrutura partidária. Todo seu apoio e mobilização de militância parte da iniciativa individual de eleitores que acreditam nas suas propostas ou ideias – até agora pouco exploradas ou resumidas a um amontoado de frases de efeito e de pronunciamentos ‘’polêmicos ‘’.


Isso pode parecer positivo para alguns, afinal, quando Bolsonaro reitera para a militância que vai vencer ''com o povo na rua'', e somente com ele, seus seguidores furiosos com a classe política ficam eufóricos, orgulham-se do ‘’mito’’ ; todavia, esse discurso contra os partidos depõe contra o próprio candidato e evidencia uma dificuldade de dialogar com os partidos.


Afinal, como Bolsonaro fará as reformas no sistema, que diz que fará, se não tiver partidos políticos ? Qual a capacidade de diálogo do futuro presidente Bolsonaro ? O ‘’povo na rua’’ não dá governabilidade. A não ser que, uma vez eleito, o presidente Bolsonaro tente governar fazendo ou incitando uma pressão popular contra os partidos no Congresso. Preocupante, pois, de duas, uma: ou o presidente cai nessa quebra de braço com o Congresso -- vide os exemplos Collor e Dilma -- ou, por outra, caia na tentação autoritária de fechar o Congresso.


Mas e o Trump ?


Acompanhei as eleições norte-americanas de 2016 desde a fase das Primárias. Embora Trump e Bolsonaro tenham posicionamentos ideológicos parecidos, e ambos tenham, nas suas respectivas campanhas, conquistado o eleitorado muito por causa de uma campanha antissistema e contra a ‘’velha política’', o presidente norte-americano tem apoio político ( Trump tem a maioria republicana no Senado e na Câmara dos Representantes), enquanto Bolsonaro trabalha apenas com a possibilidade de governar com uma base ‘’suprapartidária’’.


Atitude de hostilidade aos partidos pode jogar partidos do centro no colo do PT


Uma vez rejeitados pelo candidato Bolsonaro, esses partidos tentarão formar uma coalizão de governo com o candidato do PT. Isso é ruim, do ponto de vista político, pois passará a imagem para o eleitor moderado e indeciso de que o PT fez um esforço de diálogo com os partidos mais ao centro em nome de uma ‘’pacificação’’. Esse eleitor que ainda está indeciso e que poderá ir para o segundo turno sem opção alguma poderá enxergar no candidato petista a opção mais ‘’moderada’’, aquela que melhor reuniu as condições para governar o país.


Parece que não, mas , no meio dessa eleição dominada pela irracionalidade e pela raiva, tem eleitores que se preocupam não somente com a vitória ou a idealizada ''mudança'', mas com a governabilidade, pois dela dependem as condições para a recuperação econômica e o ambiente para a geração de empregos e o aumento da produtividade da sociedade.


O voto pragmático num momento como este é um elemento decisivo numa eleição disputada como a que presenciamos.

 
 
 

Comentários


Faça parte da nossa lista de emails

© 2023 por Amante de Livros. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • White Facebook Icon
  • White Twitter Icon
  • Branco Ícone Google+
bottom of page