top of page
  • Foto do escritor: Elton G.P
    Elton G.P
  • 16 de abr. de 2018
  • 2 min de leitura



Este mundo anda torto, e retorcido

Está fora de seus eixo e perdido;

Porém deixá-lo andar por este jeito

Já que poder não há para o pôr direito.

Vejo todas as coisas transformadas;

Vejo os homens andarem às pancadas,

Em quanto muitos bois, com paz suave,

Vão puxando o seu carro em passo grave (1).


Vejo muitas mulheres, que têm lábias,

Ignorantes ao pé das vacas sábias,

E não soltando a voz em tom amável

Sem dizer baboseira formidável.

Vejo muitas meninas preguiçosas,

E pulgas eu já vi industriosas (2),

Que, em lugar de estorvar o brando sono,

Ganham bom dinheiro pra seu dono.


Vejo muitos, que têm língua danada,

Passearem sem freio, à regalada (3),

Em quanto andam cavalos com mazelas

Por causa de bons freios e barbelas (4).


Vejo a bela falando ao seu amante,

Dizendo asneiras mil a cada instante;

E junto o papagaio, na janela,

Empregando melhor a taramela (5),

Dizendo, sem receio,expressão grossa.

Que o rapaz faz fugir - que não tem troça.


Vejo homens de saber sempre calados,

Sem abrirem o bico; e alguns chapados,

Graúdos toleirões (6)- té com demência -

Fazendo-nos perder a paciência

Com arengas compridas, que dão seca,

E nos fazem , por fim, dor de enxaqueca.


Vejo o homem, que aveza (7) poucos fundos,

Gastar moeda e meia em dois segundos;

Em quanto alguns, que são ricos freguezes,

Pra gastar trinta réus tremem três vezes.



Vejo crianças mil calcando o solo (8),

E cães, que correm bem, andar ao colo:

Vejo, enfim, neste mundo tanta asneira

Que não posso calar-me, antes que queira:

E hei-de sempre dizer para meu conforto:

---o mundo é torto, é torto --- é muito torto.




Poema de autoria desconhecida por parte deste que compartilha, podendo ser posteriormente identificado.



Glossário:

(1) passo grave : de forma sisuda , decorosa; que se ocupa de coisas importantes;

(2) industriosas : que tem indústria, capacidade de ação; ativas, trabalhadoras;

(3) à regalada : de forma ociosa, sem destino compromisso ou propósito;

(4) barbelas: Cadeia que passa pelo beiço inferior do cavalo sujeitando as cambas do freio;

(5) taramela: a língua; isto é, ''empregando melhor a língua'', não sendo tagarela.

(6) toleirões : grandes tolos; patetas; estúpidos.

(7) aveza : de avezar = ter , possuir; isto é, ''que possui poucos fundos/ recursos financeiros;

(8) calcando o solo : pisando o chão descalças.


 
 
 


Antes que alguma feminista me censure pelo título deste texto, sem antes considerar a exposição aqui feita ̶ como ,aliás, fizeram com o livro do juiz criminalista Gilvan Macêdo dos Santos , rotulando-o sem lê-lo ̶ , quero dizer que estou pouco me lixando para os julgamentos e rótulos de quem não me conhece e que, com base na exposição aqui feita, pode inferir que eu seja um tremendo ‘’machista’’ , ‘’misógino’’ porque não me filio ao pensamento dos sem número de ‘’movimentos sociais’’ donos da verdade.



A questão aqui não é ‘’ser contra ou a favor da Lei Maria da Penha’’, como comumente fazem as vozes obscurantistas que se negam a debater qualquer possibilidade de melhoramento ou crítica à legislação de gênero. Quando o tema é reduzido a esse dualismo simplificador, os ‘’bons’’ se acharão no direito de censurar os ‘’maus’’, afinal quem, em pleno século XXI, vai ser a favor de violência contra as mulheres, não é mesmo?


Pois é, amigos. Assim o debate fica inviável. Os críticos à Lei Maria da Penha serão sempre vistos como ‘’defensores da violência doméstica’’.


Vamos aos fatos. No último dia 19 de dezembro, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE) cancelou, a pedido dos ‘’movimentos sociais’’ , como diz matéria do JC Online, o lançamento do livro “A discriminação do gênero-homem no Brasil em face à Lei Maria da Penha”, do juiz criminalista Gilvan Macêdo. A matéria pode ser lida aqui (http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2017/12/19/livro-que-aborda-discriminacao-do-homem-pela-lei-maria-da-penha-gera-polemica-320793.php).


O livro é o resultado de uma tese de dissertação de mestrado realizada em Portugal pelo autor ( dificilmente seria feita no Brasil ,onde as donas da verdade ocupam o pedestal do academicismo universitário). Trata-se de um texto que jamais poderia ser censurado. Vimos, na verdade, o TJ-PE assentir num atentado a um direito fundamental de caráter social: a liberdade de expressão, que se materializa, sobretudo, pela circulação das idéias em livros, artigos, jornais etc.


A armadilha semântica dos movimentos sociais para pedir o cancelamento do livro.


A nota dos ‘’coletivos de mulheres’’ ̶ na verdade, um nicho de gente ‘’corajosa’’ para dizer o que diz somente quando está em bando ̶ vem recheada de desaforos e de acusações. Acusa o magistrado autor da obra de ter um ‘’... histórico profissional a perseguição aos movimentos sociais e a resistência a um judiciário garantidor dos direitos e princípios constitucionais’’. Como quem se sente dono da verdade, parte , inclusive, para o ataque e para as acusações graves contra o tribunal, dizendo ser o judiciário ‘’cúmplice de métodos, argumentos e elaborações teóricas as quais tendem a manter a situação de vulnerabilidade da mulher’’.


Apelando para o sensacionalismo e tentativa de neutralização do debate e de quem discorda, os coletivos se acham no direito de acusar a obra ter não ter ‘’...qualquer conteúdo e capacidade de se inserir na realidade do debate’’. Mero subjetivismo dos grupos que assinam a nota.


Na verdade, os ‘coletivos de mulheres’’ estão dizendo o que deve ou não ser publicado e discutido, conforme o que elas entendem por ''discussão teórica legítima''. O TJ-PE, em linguagem prosaica, ‘’ pôs o rabo entre as pernas’’ e cancelou o evento. Ponto para o autoritarismo dos ‘’coletivos’’.


A notinha é tão desaforada e clichê que termina da seguinte forma:


''O Tribunal de Justiça de Pernambuco receber o lançamento de um livro que traz em seu título o esvaziamento da Lei Maria da Penha – um dos mais importantes avanços no combate à violência doméstica e familiar sofrida pelas mulheres – é ter em suas mãos o sangue de Josefa Severina da Silva Filha, Daiane Reis Mota e tantas outras mulheres assassinadas por seus parceiros sexuais. Não nos calaremos diante da suspeita e injustificável cumplicidade da Justiça de Pernambuco com nossas mortes. Não aceitaremos que nossos direitos sejam esvaziados em alto som nos salões nobres dos poderosos, enquanto nossas mortes são silenciosamente ignoradas. Nenhum direito a menos.''


Um absurdo, senão uma acusação imputada ao tribunal e ao autor da obra que mereceria, no mínimo, uma interpelação judicial! Se, no mínimo, coragem tivesse para ir contra a maré politicamente correta do feminismo, o autor da obra, por exemplo, deveria interpelar as corajosas que só falam bando pedindo para que elas encontrassem , na obra ̶ pelo menos elas teriam o trabalho de ler o livro, se é que leram! ̶ onde está o ‘’sangue’’ das mulheres assassinadas em Pernambuco. Em quais passagens, o autor justifica o feminicídio e endossa a ‘’cumplicidade ‘’ com as mortes de mulheres ?


Seria uma decisão corajosa do autor que exporia o mero verbalismo estéril dos ‘’coletivos feministas’’, useiro e vezeiro de acusações sem prova, de imputações e alegações que não precisam ser provadas, apenas lançadas e pronto!


Chegamos ao absurdo de vermos qualquer tentativa de crítica ou de sugestões de melhoramento da Lei Maria da Penha ser rechaçada pela gritaria de minorias obscurantistas que não aceitam ser confrontadas e que se sentem a palmatória do mundo. Gente que não lê bulhufas nenhuma, mas que forma uma ideia

ou rechaça outras com os mesmos surrados rótulos neutralizantes, ‘’discursos de ódio’’, ‘’machismo’’.


O autoritarismo venceu. Como alguém pode censurar uma obra sem ao menos lê-la? O que essa gente fez foi sintetizar a obra pelo seu título. Gente preguiçosa que não lê nada e já parte para a queima e perseguição de livros.


No index das feministas ̶ a lista com todas as obras proibidas pelos ‘’coletivos’’ ̶ , livros que critiquem e questionem a sacrossanta e perfeita Lei Maria da Penha é ‘’retrocesso’’ , é ‘’discurso de ódio’’. Não é que as bruxas da Idade Média ̶ segundo a leitura feminista , as ‘’hereges da ordem patriarcal de então’’ ̶ trocam de papéis : de vítimas, viraram as censoras, as que vão incriminar livros como ‘’nocivos’’e mandar para a fogueira tudo o que não esteja , no dizer das corajosas, ‘’de acordo com a realidade do debate’’.

 
 
 
  • Foto do escritor: Elton G.P
    Elton G.P
  • 30 de dez. de 2017
  • 2 min de leitura

Atualizado: 10 de jan. de 2018


É isso, amigos! Com um pouco de coragem e um tanto de tédio com o uso de redes sociais para escrever longos textos, este que escreve , enfim, uniu a fome com a vontade de comer para criar um blogue onde os seus textos, sobre os mais variados assuntos, possam ser melhor acomodados e, a depender das discussões aqui feitas, também fiquem ao acesso de todos quantos se interessarem — se os houver, é claro!


O subtítulo do blogue deve-se antes de tudo a uma inquietação que vai neste escriba de comentar e opinar sobre os mais variados temas ''polêmicos'' que circulam na atualidade com a intenção clara de formar opinião, ainda que contrária a que possa vir esboçar este escrevente, sobre os mais controvertidos assuntos. ''Leio,penso,logo escrevo'' é o lema deste escriba sincero, pois não há opinião formada que não seja, antes de tudo, um diálogo com outros textos, com outras opiniões bem fundamentadas.


Semelhantemente, ''Leio,peso, logo escrevo'' é uma inquietação premente do criador deste blogue: enquanto um parágrafo, por menor que seja, não sair da pena deste escriba, depois de uma leitura inquietante e provocativa feita por ele, não há sossego! Ou seja, um subtítulo que faz jus ao próprio ato ou ofício de escrever e expressa muito bem o que é a força criadora do ato de se expressar por escrito.


Um exercício que requer, antes de tudo, muita disposição para prática e amor pela palavra escrita, tendo em vista que escrever é a soma de vontade (aqui entendida como propósito comunicacional) mais a técnica, isto é, a exploração e seleção cuidadosa das palavras, dentro do que, usando uma expressão coseriana*, o sistema da língua oferece em termos de possibilidades verbais.


Quero dizer aos eventuais leitores, que por algum motivo aqui entraram — seja por curiosidade, seja por interesse no que escreve este escriba amador — , que o processo de escrita deste ''blogueiro'' é relativamente lento, metódico e exaustivo, e por esse motivo tem este escrevente relutado em atualizar o blogue com textos ''apressados'' e descuidados com o vernáculo e a boa gramática normativa, sua paixão desmesurada — depois, claro, de outras duas : aquela fragrância rara que a mulher tem no congote e um bom café quente! Hehehe.


É isso!






* coseriana: de ou pertencente a Eugenio Coseriu, estudioso da Linguística.



 
 
 

 

Faça parte da nossa lista de emails

© 2023 por Amante de Livros. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • White Facebook Icon
  • White Twitter Icon
  • Branco Ícone Google+
bottom of page